E-commerce – Tendências de comportamento e consumo

O Ipsos apresentou, a quinta onda do Observatório de Tendências, estudo realizado desde 2004 e que identifica e analisa movimentos e fenômenos em nível macroeconômico, político e social e seus reflexos no consumo, no comportamento e nas manifestações culturais. O objetivo do projeto, que aponta sete grupos de tendências, é detectar e entender as aspirações humanas da sociedade pós-moderna e como essas motivações e desejos se refletem nos rituais de consumo.

“Nesta nova onda, a ideia de composição, mosaico e misturas é muito forte em tudo: na publicidade, na roupa, na rua. Outro conceito que se destaca é o de leveza. É uma tentativa de sair do peso do cotidiano. Por isso vemos em evidência o uso de balões, nuvens, asas, vento e coisas em elevação. Tudo isso na busca da leveza”, destaca Clotilde Perez, semioticista e coordenadora geral do Observatório de Tendências da Ipsos.
A metodologia se baseia em entrevistas em profundidade com formadores de opinião na área em que atuam; avaliação semiótica de mídia e imagens de diversos setores como moda, arte, publicidade, TV e cinema em diversas cidades do Brasil; relatórios sobre tendências elaborados por trend-hunters de diversos pontos do mundo; e discussão em grupo com consumidores early-adopters (vanguarda em consumo e em comportamento).

Confira a seguir as principais mudanças em cada uma das tendências.

Go Bubbles
O tempo agorista ainda é um valor. Mas a aldeia global adquiriu dimensões mais modestas, ainda que múltiplas. Estar conectado não significa, necessariamente, estar ligado em tudo que acontece no mundo o tempo todo. Filtrar, selecionar e bloquear informações possibilitou limites. Conexão, interatividade, multiplicidade estão mais voltadas aos microcosmos, e são assim melhor administradas.

HiperSense
O desejo pela intensidade, surpreender e ser surpreendido, sair do lugar comum, fazer algo diferente foram aguçadas pelos efeitos de massificação e da pouca diferenciação da era global. Manifestações como desafio físico, exibicionismo, voyeurismo e até fetichismo continuam, mas surgiram formas mais elaboradas de se fazer notar e de sentir, muitas vezes associadas a mensagens edificantes como minar preconceitos e atenuar tabus. A ênfase agora está em despertar os sentidos de maneira inusitada, ilusionar, misturar e sobrepor os sentidos.

Venus Fever
A discussão sobre os papéis sociais tradicionais do homem e da mulher já não ocupa mais um papel relevante. A mulher não será mais a antiga Amélia e não se sente mais tão ameaçada pela perda de suas conquistas. Da mesma forma, o homem é também mais livre para circular: mais sensível, vulnerável, parceiro, também pode ser mais viril e rústico. Hoje, é a ideia de compor que está no centro das atenções. O caricato, em qualquer sentido que seja, não tem mais espaço.

Living Well
Bem estar é o foco da tendência Living Well. Na onda anterior já se observava a diminuição das cobranças e exigências sociais, o que deu o tom do bem estar possível, com forte conexão extra-corpus. Foram identificadas duas vertentes a partir de um conflito: Finitude ou Longevidade? “Tem que ser hoje, porque pode acabar amanhã. E tem que ser todo dia, porque pode durar 90 anos”. Diante dessa dicotomia se evidencia por um lado a forte valorização do momento presente e, por outro, a maior preocupação com o futuro.

ID Quest
A tendência tem importante destaque: buscar as raízes para saber quem eu sou – e eu sou um mosaico. Amigos pessoais são mais valorizados, mesmo que o contato com eles seja mais virtual. Momento de crise financeira também intensifica a necessidade de contatos mais sólidos e verdadeiros. São evidentes manifestações de busca afetiva, como design de época, objetos do passado, colecionismo, remakes de filmes e peças de sucesso, renascimento das mascotes de marcas e criação de novas. Tudo em busca de uma relação mais emocional e mais afetiva como possibilidade de constituição da própria identidade, ainda que esta se constitua na composição.

My Way
Depois da indústria favorecendo a customização, agora o foco passou a ser no indivíduo e em tudo que lhe agrada e singulariza. Não queremos apenas personalizar: somos autores-atores prontos para performar. Agora as manifestações de individualidade estão também expressas na relação com o outro, na co-autoria, nos processos de co-criation, na colaboração. O exercício da criatividade está na capacidade de transitar por vários estilos, atitudes e comportamentos. Ser único e ser múltiplo.

Know Your Rights
É a mais atual das tendências. Alicerçada no paradigma contemporâneo “consumir é existir”, com ramificações para o consumo crítico, ético e sofisticado, esta tendência agora dá sinais de fusão entre os eixos crítico e ético. Repudia-se tanto o excesso do capitalismo e das grandes corporações quanto à forma de produção. Não basta aderir a produtos éticos se o consumo for excessivo. Festa do consumo responsável, dia sem compras, loja gratuita, são exemplos claros dessas misturas. Na vertente da sofisticação do consumo, nota-se o surgimento de novos significados para luxo: momento de maior moderação e controle, maior atenção ao que se mostra. A ideia de excessos pode comprometer imagem pessoal.

Fonte: Administradores

Felipe Rodrigues da Silva

Consultor em E-commerce, sócio fundador da ZIO Soluções em Internet, com mais de 15 anos de experiência nas áreas de Internet, TI e Desenvolvimento de Software. E atuou na área de TI, em grandes empresas como Terra Networks, Grupo RBS, Unisinos e outras, hoje atuando como Consultor de E-commerce nos mais diversos segmentos.

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